domingo, 24 de setembro de 2017

"Quadrilhão do PMDB": Voos de Funaro batem com datas de repasses a Geddel, diz investigação

Foto: Agência Brasil


O relatório da Polícia Federal sobre o "Quadrilhão do PMDB" na Câmara, que embasou denúncia do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot, apresenta um capítulo sobre pagamentos de propinas à suposta organização criminosa do partido. Em tópico relacionado somente ao ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), as investigações apontam para voos do delator Lúcio Funaro com destino a Salvador, onde permanecia por aproximadamente meia hora, decolando de volta ao ponto de partida. As datas e horários, fornecidos aos investigadores por empresa dona do hangar, são equivalentes às apontadas em planilhas de Funaro em que são registrados supostos pagamentos ao ex-ministro. Segundo a PF, documentos apontam para repasses de R$ 16,9 milhões do operador a Geddel somente entre 2012 e 2015. Geddel está preso preventivamente desde o dia 8 de setembro, após a Polícia Federal descobrir, na Operação Tesouro Perdido, um apartamento em Salvador a apenas 1,2 Km da casa do peemedebista, com R$ 51 milhões em dinheiro vivo em malas e caixas. Ele é investigado na Operação Cui Bono? por supostos desvios oriundos de liberações de empréstimos àépoca em que foi vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal. O dinheiro tinha as digitais do ex-ministro e do ex-chefe da Defesa Civil de Salvador, Gustavo Pedreira Couto Ferraz. Aliado ao PMDB na Bahia, Ferraz é apontado pela PF como o interposto que teria pego dinheiro para Geddel do doleiro Lúcio Funaro em São Paulo. Em delação, Funaro afirma ter feito pagamentos de R$ 20 milhões ao peemedebista. Desse total, a PF encontrou registros de voos e pagamentos em planilhas que supostamente são relacionados aos repasses de R$ 16,9 milhões. Nas planilhas do delator, Geddel é associado às indicações "G", "Ge", "Gu", "Ged", "Gued", "If/g" e "If-salv", de acordo com a PF. O doleiro alegou que teria entregue valores e o ex-ministro teria feito entregas a um hangar da Aero Star Taxi Aereo LTDA, no aeroporto de Salvador. A empresa forneceu as informações sobre pousos e decolagens do delator. Cruzando dados fornecidos pela empresa com planilhas de Funaro, a Polícia Federal identificou indícios de pagamentos a Geddel. "Com relação ao registro de pagamento referente ao dia 30/01/2014, dos valores de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), em oficio emitido pela empresa Aero Star, verificou-se que Lúcio Funaro contratou, por meio de sua empresa Viscaya Holding Participações, intermediações, estruturações e serviços LTDA, serviços de "hangaragem" no dia 29/01/2014, um dia antes da data registrada na planilha de pagamentos a Geddel. A aeronave, PT -MJC, de propriedade de Lúcio Funaro, permaneceu do hangar da empresa por apenas 30 minutos. Entre 19:02h e 19:32h. Esse curto período de parada, juntamente com os contextos apresentados, permitem inferir que o objetivo da viagem teria sido unicamente para a entrega de valores conforme a planilha de Funaro", conclui a PF. Em situação semelhante, no dia 17 de fevereiro do mesmo ano, quando o doleiro registrou pagamento de R$ 650 mil a Geddel em suas planilhas, consta na ficha de atendimento de serviço de hangaragem da Aero Star Taxi Aéreo para o avião de Lúcio uma permanência de apenas 42 minutos. Segundo a PF, esse período curto reforça, mais uma vez, as declarações de Lúcio Funaro sobre o fato de ter viajado até Salvador com a única finalidade de proceder à entrega de valores no hangar da empresa. A Polícia Federal ainda relata situações semelhantes em que os voos de Funaro, com permanência curta em Salvador, batem com registros de supostos pagamentos a Geddel. Em uma das ocasiões em que o doleiro relata ter feito entregas a Geddel Vieira Lima em março de 2014, quando ficou hospedado no hotel Pestana, em Salvador. De acordo com o doleiro, o peemedebista teria chegado em sua Cherokee. A Polícia Federal recebeu, do hotel Pestana, o registro de hospedagem de Funaro e identificou, na declaração de bens de Geddel, a Cherokee mencionada pelo delator. Funaro ainda entregou doação oficial por meio de empresa à qual é ligado, a Araguaia Energia Elétrica, no valor de R$ 50 mil, ao PMDB da Bahia, cuja pessoa jurídica está em nome de Geddel.

Vitória da Conquista, Bahia: Passageiro de ônibus é flagrado pela PRF com R$ 700 mil em mala

Foto: Divulgação / PRF-BA


O passageiro de um ônibus foi flagrado durante uma operação da Polícia Rodoviária Federal na BR-116, em Vitória da Conquista, com R$ 700 mil dentro de uma mala. Segundo informações do Blog do Anderson, a mala estava no bagageiro do veículo, da empresa Gontijo, que fazia a linha São Paulo – Natal. Identificado pela PF, o dono da mala não soube informar a origem do dinheiro. Ele relatou que estava em Brasília (DF), viajou para São Paulo (SP), onde recebeu o dinheiro e estava levando a mala para Recife (PE). A ocorrência foi encaminhada para a Polícia Federal.

PGR: Raquel Dogde cria grupo em defesa de minorias e pode contrariar governo

Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil


A expectativa de que a nova gestão da Procuradoria-Geral da República, de Raquel Dodge, distensione a relação do órgão com a cúpula do governo pode vir a ser contrariada. Segundo informações do jornal O Globo, ela pretende aumentar as frentes de atuação na defesa dos direitos humanos e defender uma tese mais favorável à demarcação de terras indígenas, o que se choca com interesses de setores do governo Michel Temer e com parte da bancada que apoia o presidente. Ainda no mandato de Rodrigo Janot, que Dodge substitui, Temer atendeu a um desejo histórico dos ruralistas e aprovou um parecer da Advocacia-Geral da União (AGU), que determina que o reconhecimento de uma área indígena implica na presença dos índios no território no momento da promulgação da Constituição Federal de 1988. A norma prejudica os grupos que tiveram que sair forçosamente de suas terras e que conseguiram retornar posteriormente. A ala ligada a nova procuradora-geral discorda desse marco temporal. O grupo montado por Dodge para atuar pelos direitos de minorias também definiu como prioridade o cumprimento de tratados internacionais dos quais o Brasil participa. Outra medida é buscar uma atuação conjunta do Ministério Público em quatro áreas de violações recorrentes: as altas taxas de homicídios, o elevado número de feminicídios, o cumprimento de medidas socioeducativas por adolescentes infratores e a crise do sistema prisional.
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